Publicada em: 25/10/2021

Os impactos diretos e indiretos da pandemia na iniciativa privada

É fato notório e sabido que, além da grande maioria dos países,  o Brasil enfrenta desde o ano de 2020 a maior crise sanitária de toda a sua história, o que trouxe inúmeras consequências para a vida econômica e social dos brasileiros, impactando diretamente as relações pessoais e de trabalho, as condições e o acesso à saúde pública, causando um agravamento generalizado em todo o setor econômico do país e do mundo e, ainda, trazendo a necessidade de inovação tecnológica para que fosse possível, ao menos, amenizar todo o prejuízo trazido pela disseminação do vírus Covid-19.

 

Atualmente, com a aceleração da vacinação no Brasil (cerca de 50% (cinquenta por cento) da população, atualmente se encontra imunizada), com a consequente redução no índice da propagação do vírus, há  sensível diminuição  no número de novos casos, conjuntamente a isso, o país enfrenta uma nova fase deveras desafiadora: a tentativa de recuperação dos setores da economia que foram mais atingidos durante a pandemia. E é justamente sobre alguns impactos sofridos no setor da iniciativa privada, já que seria praticamente impossível quantificar e parametrizar tecnicamente o real cenário, que iremos abordar no presente artigo.  

 

De início, é importante destacar que a pandemia impôs a adoção de medidas rígidas de segurança na tentativa de “frear” a propagação do vírus, sendo adotado no país, além de outras medidas impopulares, a proibição de aglomerações, incentivando, assim, o isolamento social. Com isso, foi de extrema relevância a adoção de outros hábitos pela população e isso, consequentemente, trouxe a necessidade de modernização pelas empresas privadas, que tiveram que se atualizar tecnicamente, investindo em inovação e infraestrutura para que fosse possível atuar ativamente no mercado.

 

Assim, pode-se afirmar que a pandemia acelerou as inovações tecnológicas que provavelmente ocorreriam apenas daqui alguns anos, mostrando que, com o desenvolvimento virtual, seria ainda possível manter as relações sociais de trabalho ativos.   

 

Por outro lado, e mesmo com a utilização da tecnologia, os setores da economia sofreram impactos, tendo a Secretaria Especial de Produtividade e Emprego do Ministério da Economia divulgado no Diário Oficial da União, no mês de setembro de 2020, a lista dos setores econômicos que foram mais atingidos pela pandemia, que foi elaborada com base na variação do faturamento do setor, segundo dados da Receita Federal, além de outros critérios. Assim, tem-se que as atividades econômicas mais afetadas são as seguintes: 1 - Atividades artísticas, criativas e de espetáculos; 2 - Transporte aéreo; 3 - Transporte ferroviário e metroferroviário de passageiros; 4 - Transporte interestadual e intermunicipal de passageiros; 5 - Transporte público urbano; 6 - Serviços de alojamento; 7 - Serviços de alimentação; 8 - Fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias; 9 - Fabricação de calçados e de artefatos de couro; 10 - Comércio de veículos, peças e motocicletas.

 

O setor de eventos, que se inclui nas atividades artísticas referida acima, foi um dos setores que teve que se reinventar para minimizar os impactos sofridos, tendo os profissionais artísticos adotado as formas de evento online, que incluía a transmissão de shows ao vivo, sem público presencial, em plataformas como “Youtube” e “Instagram”. 

 

Apesar disso, a estimativa é que, de acordo com a Associação Brasileira dos Produtores de Eventos (ABRAPE), 97% (noventa e sete por cento) do setor foi paralisado, com 450 (quatrocentos e cinquenta) mil empregos perdidos, e as empresas deixaram de faturar cerca de R$ 90.000.000.000,00 (noventa bilhões de reais). Todavia, além do tempo que foi necessário para o retorno das atividades desse setor, resultado da aceleração da vacinação e a sensível redução dos números diários de novos casos, internações e óbitos pela pandemia, estima-se uma melhora no setor de eventos. No Estado de São Paulo, o Governo já iniciou a realização de eventos controlados, com monitoramento dos participantes posteriormente, verificando os indicativos de contaminação, tudo isso para que a volta do setor seja segura, realizando, como dito, uma série de “eventos-teste” para dimensionar as possibilidades neste setor, que já está retomando suas atividades presenciais. A previsão é que o setor gere novos empregos e oportunidades de trabalho. No entanto, os empresários da área enfrentam algumas dificuldades, como o alto endividamento das empresas, migração de mão de obra e a necessidade de “renovação de receitas”.

 

Além disso, como consequência da aceleração da vacinação, aumentaram-se as expectativas e os dados referentes ao volume de serviços prestados no Brasil, especialmente em agosto de 2021 e, segundo os dados publicados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no dia 14 de outubro de 2021, ocorreu um crescimento de 16,7% no setor de serviços, quando comparado com o mês de agosto de 2020. A título de conhecimento, a alta do mês de agosto de 2021 se deu principalmente pelo avanço dos serviços de alojamento, alimentação e de transporte aéreo e está 4,6% acima do patamar “pré-pandemia”.

 

É válido ressaltar, ainda, que de modo contrário a outros segmentos da economia, os serviços de tecnologia da informação, que reúnem atividades de desenvolvimento e licenciamento de softwares, portais e provedores de conteúdo, e ferramentas de buscas na internet, dispararam no decorrer da pandemia, operando em patamar 32,8% acima do que era observado em fevereiro de 2020. Além disso, verifica-se que o crescimento da utilização das mídias digitais abriu as portas para a geração de empregos neste setor, que precisou se adaptar com a nova realidade vivida na sociedade.

 

Ainda que existam setores da economia que alavancaram suas produções e prestações de serviços na pandemia, em um panorama geral, grande parte das empresas enfrentaram inúmeros desafios para a iniciativa privada, tendo que se reinventar e se modernizar para manter suas portas abertas, bem como tiveram que se adaptar à uma nova realidade social imposta pela propagação do vírus “Covid-19”. 

 

A situação atual, levando em consideração os dados de 2020 e 2021, e a projeção para 2022, resulta em um cenário desafiador, com uma dose de insegurança,  pois, apesar do reaquecimento das atividades econômicas, todos os setores ainda são impactados pela pandemia, principalmente com alta na inflação que castiga as famílias, não se duvidando que essa realidade tende somente a mudar no ano que vem, com o reaquecimento do mercado consumidor em razão da volta das contratações, diminuindo o desemprego, bem como eventuais intervenções do Banco Central, principalmente na taxa de juros.

 

Aliás, como já tratado e debatido por inúmeros economistas brasileiros, resta sem qualquer dúvida que o endividamento das famílias e a contratação do crédito, se trata de entraves a serem superados pelo Brasil a partir de 2022. Isso porque, em 2020, em razão da pandemia, houve a aceleração de demissões por conta do fechamento da maioria dos segmentos produtivos e prestadores de serviços no Brasil, e em razão disso, muitas famílias que, infelizmente sofreram o impacto do desemprego, tiveram sua renda comprometida, vendo-se obrigadas a utilizarem-se da modalidade crédito (cartões, cheque especial, empréstimos consignados, etc.) para sua sobrevivência, o que fez o endividamento subir de forma estratosférica e, consequentemente, retraiu a concessão de crédito em 2021 com reflexos profundos em 2022.

 

Outro ponto de alerta levantado pelos economistas e especialistas, e que pode impactar diretamente na retomada da economia, mesmo não estando diretamente ligado aos efeitos da pandemia trazida pelo COVID-19, é a reserva energética. Além da alta nos preços dos combustíveis, os anos de 2021 e 2022 são anos com indicação de poucas chuvas e, assim, com reservatórios sendo cada vez mais sem capacidade de operação na geração de energia limpa e, consequentemente, a necessidade da utilização de outras formas de geração de energias poluidoras e caras, além da inevitável aquisição de energia de países vizinhos.

 

Todavia, não podemos sucumbir às dificuldades diárias e àquelas que provavelmente se avizinham, sendo o momento de unir forças e dentro das nossas possibilidades, avançar no caminho do entendimento e do desenvolvimento, propiciando a criação de um ambiente econômico favorável, com a tentativa principal de priorizar a manutenção dos empregos, a geração de renda e a retomada do crescimento.

 

Por isso, é importante que a sociedade não deixe de acreditar na evolução econômica e social do país, e que todos os setores da sociedade se unam, culminando esforços para avançarmos, mesmo que de forma aparentemente lenta, na resolução dos problemas que afligem a toda a população.

 

Referências:

 

Ministério da Economia divulga lista dos setores mais afetados pela pandemia da Covid-19 no Brasil. GOV.BR, 25 out. 2021. Economia. Disponível em : https://www.gov.br/economia/pt-br/assuntos/noticias/2020/setembro/ministerio-da-economia-divulga-lista-dos-setores-mais-afetados-pela-pandemia-da-covid-19-no-brasil

 

Setor de serviços cresce 0,5% em agosto e tem 5ª alta seguida. G1.globo, 25 out. 2021. Economia. Disponível em: https://g1.globo.com/economia/noticia/2021/10/14/setor-de-servicos-avanca-05percent-em-agosto.ghtml

 

Na contramão da economia, setor de TI cresce na crise. Estadão, 25 out. 2021. Economia. Disponível em: https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,na-contramao-da-economia-setor-de-ti-cresce-na-crise,70003831804

 

O panorama para o mercado de eventos pós-pandemia. Let´s blog, 25 out. 2021. Eventos. Disponível em: https://lets.events/blog/o-panorama-para-o-mercado-de-eventos-pos-pandemia/

 

Com aumento de eventos-teste, produtores sonham com a retomada pós-pandemia. G1.globo, 25 out.2021. Economia. Disponível em: https://g1.globo.com/economia/noticia/2021/07/09/com-aumento-de-eventos-teste-produtores-sonham-com-a-retomada-pos-pandemia.ghtml

 

 

Vanessa Marte é Advogada e integra a equipe de Direito Privado do Grupo Confiatta, que atua no ramo de Concessões de Serviços Públicos, Direito Regulatório e Infraestrutura.

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